Fabricantes de adereços de Hollywood lutam contra proposta de proibição de armas impressas em 3D
Uma proposta de lei da Califórnia busca obrigar todas as impressoras 3D vendidas no estado a serem equipadas com software que impede os usuários de fabricar peças de armas de fogo, gerando preocupações sobre consequências indesejadas e restrições excessivamente amplas. A medida visa combater o problema das “ghost guns” (armas fantasma), armas construídas artesanalmente sem serialização, mas enfrenta forte oposição de diversos grupos, incluindo estúdios de efeitos especiais de Hollywood.
O projeto de lei, aprovado na Assembleia e avançando no Senado da Califórnia, busca endereçar a proliferação de “ghost guns”, dificultando investigações criminais. O número de armas feitas por particulares recuperadas em crimes aumentou significativamente: em 2017, mais de 1.600 armas foram recuperadas; em 2023, quase 27.500. Califórnia lidera o país nesse tipo de recuperação.
Diversos grupos se opõem à lei, incluindo grupos de direitos civis, empresas de tecnologia, entusiastas de impressão 3D e estúdios como Monster City e Legacy Effects. O estúdio Legacy Effects, liderado por Samuel McBride (lab manager), se preocupa que a lei impeça a fabricação de dispositivos como o trigger (gatilho) usado em seus projetos.
A proposta envolve a implementação de “firearm blocking software” (software de bloqueio de armas), mas críticos argumentam que esse software também pode bloquear designs legítimos e expor os fabricantes a vigilância governamental ou corporativa. Uma exceção foi incluída para impressoras 3D fabricadas exclusivamente para estúdios de efeitos especiais, permitindo que eles continuem a usar a tecnologia.
A fabricante de impressoras 3D Prusa Research assinou uma carta contra o projeto de lei, argumentando que ele dificultará a construção, reparo e inovação na Califórnia. Alan Scott (co-fundador do Legacy Effects) enfatiza a importância da impressão 3D para a sobrevivência da empresa em um mercado onde os orçamentos são apertados e os prazos são curtos. A Legacy Effects investiu centenas de milhares de dólares na tecnologia de impressão 3D.
A empresa compartilha arquivos de design por meio de servidores criptografados e sistemas internos protegidos, devido à necessidade de manter o sigilo dos projetos cinematográficos. Assemblymember Rebecca Bauer-Kahan afirma que “como a violência armada continua a devastar nossas comunidades, não podemos permitir que a tecnologia de impressão 3D se torne uma nova linha de transmissão para armas sem serialização”. David Tobin (Independent Creator) destaca que a luta é sobre se o estado pode ou deve exigir que uma ferramenta de consumo monitore os designs de uma pessoa antes que ela seja autorizada a fazer algo. Jakub Kmošek (Head of Public Affairs, Prusa): “Esta lei dificultará apenas a construção, reparo, experimentação e inovação na Califórnia”. Paul Powers (CEO, Physna) explica que as críticas à lei “malinterpretam como o software funciona”. Krystal LoPilato (Advocate at Everytown) menciona que seu grupo tem sucesso em guiar projetos semelhantes através do Legislativo Estadual de Nova York. Aubrey Rodriguez (Legislative Advocate, ACLU California Action) ressalta que a proposta solicita que os usuários comuns, escolas e empresas aceitem uma nova camada de controle baseado em software que ainda não confiam.
A eficácia do software de bloqueio é incerta, com preocupações sobre a possibilidade de vigilância governamental ou corporativa. Dados sobre o número de ghost guns recuperadas são limitados. A base de dados do software pode ficar desatualizada em relação às novas inovações, tornando-o menos eficaz. Existe o risco de false positives (identificações errôneas).



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