David Thomson lança A Sudden Flicker of Light com história revisionista do cinema

Capa do livro A Sudden Flicker of Light de David Thomson

David Thomson lança A Sudden Flicker of Light com história revisionista do cinema

O crítico de cinema e historiador David Thomson, autor de mais de 40 livros, lançou A Sudden Flicker of Light. A obra é descrita como uma história revisionista e excêntrica do cinema que percorre mais de um século de trajetória da sétima arte, com foco principal em Hollywood, mas incluindo produções do cinema de arte europeu e do leste asiático.

O título do livro é inspirado no romance The Portrait of a Lady, de 1881, de Henry James, referindo-se a uma cena em que a personagem Isabel Archer observa Madame Merle e Gilbert Osmond. No livro, Thomson utiliza uma abordagem que mistura opiniões, piadas, críticas e generalizações provocativas, valorizando também dados de bilheteria e lucros de filmes importantes.

A obra percorre desde a cine-pré-história, com o fotógrafo Eadweard Muybridge, até produções contemporâneas como Anora, de Sean Baker, e o drama Adolescence, da Netflix, com Stephen Graham. Entre as figuras e filmes citados estão Fritz Lang em Metropolis, DW Griffith em Birth of a Nation, além de nomes como Chaplin, Hitchcock, Bogart e Marilyn Monroe em The Seven-Year Itch. O autor também menciona obras de Martin Scorsese, como GoodFellas, e de David Lynch, como Mulholland Drive.

Análises e teses em A Sudden Flicker of Light

Thomson apresenta teses sobre a evolução da indústria. Ele sugere que a experiência de tela grande pode estar desaparecendo porque as telas domésticas oferecem imagens mais brilhantes e transportadoras. Além disso, afirma que a dedicação do setor ao conceito de amor levou a indústria a uma crise evolutiva, tornando a palavra vazia.

Sobre Steven Spielberg, o autor o define como a figura mais decisiva na história do cinema, creditando-o por ter tirado a arte do precipício ao experimentar com dúvida e dificuldade. O texto contrasta a positividade de Spielberg com os tons mais sombrios da Nova Onda Americana.

O livro também aborda a natureza do cinema em comparação a outras artes. Thomson argumenta que o cinema possui um poder populista-democrático único por não poder ser interrompido pelo público, diferentemente do teatro ou concertos. Por outro lado, ele questiona se o cinema carece da capacidade da literatura de permitir a expansão da imaginação, forçando a submissão do espectador à tela.

Entre as menções a fatos controversos, a obra cita um suposto estupro de Natalie Wood cometido por Kirk Douglas. O autor também utiliza a trajetória do ator James Murray, em The Crowd (1928), para exemplificar alguém que alcançou a glória, mas terminou a vida em situação de rua e com alcoolismo.

A análise da obra, publicada originalmente pelo The Guardian, compara a prosa de Thomson a um solo de free jazz ou a uma pintura de ação feita de celuloide derretido. O revisor observa que, embora Thomson questione se o desejo de fazer filmes está em recuo e se já vimos tudo, ele não explora essa implicação com rigor.

A fonte nota ainda que o autor sugere um novo elenco para a cena do lampejo de luz de The Portrait of a Lady, com Meryl Streep como Madame Merle, ignorando a versão cinematográfica da obra dirigida por Jane Campion, embora o filme de Campion não inclua esse momento específico.


Fonte original: The Guardian

Publicado originalmente em: 20 de julho de 2026 às 06:00 UTC

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