Stalker 2 deu lucro antes mesmo do lançamento graças a acordo de exclusividade com a Microsoft

Imagem promocional do jogo Stalker 2, desenvolvido pela GSC Game World.

Stalker 2 deu lucro antes mesmo do lançamento graças a acordo de exclusividade com a Microsoft

O jogo Stalker 2 gerou lucro antes mesmo de seu lançamento oficial, graças ao montante financeiro pago pela Microsoft para garantir a exclusividade temporária no Xbox. A revelação foi feita por Sergiy Grygorovych, fundador da desenvolvedora GSC Game World, em entrevista ao canal do YouTube OLDboi.

De acordo com Grygorovych, a Microsoft entrou em contato com a empresa ucraniana para negociar os termos de exclusividade logo após ficar impressionada com o número de visualizações do trailer de estreia de Stalker 2. “Nós recebemos mais do que o custo de Stalker 2”, afirmou o fundador, que desde então deixou a GSC Game World para criar um novo jogo em um novo estúdio. “Ele se pagou antes do primeiro dia.” A IGN entrou em contato com a GSC Game World para obter comentários sobre a declaração.

A Xbox esteve fortemente envolvida no projeto de Stalker 2, que foi desenvolvido em meio à invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia. Além de assegurar a exclusividade temporária nos consoles e o lançamento no primeiro dia no serviço Xbox Game Pass, a Microsoft ajudou na produção, no marketing e na criação de um documentário de bastidores. Após uma série de adiamentos, o jogo foi lançado para PC e Xbox Series X e S em novembro de 2024, chegando também ao Game Pass. A versão para PlayStation 5 foi lançada um ano depois, em novembro de 2025. Documentos revelados em 2021 mostram que o plano original era lançar o título no quarto trimestre de 2021.

Stalker 2 provou ser um sucesso comercial, vendendo 1 milhão de cópias em apenas dois dias e superando a marca de 6 milhões de jogadores até o momento. A primeira grande expansão de história, intitulada Cost of Hope, foi lançada no período de verão. Grygorovych não especificou o valor exato pago pela Microsoft nem o custo total de desenvolvimento do jogo.

Mudanças na estratégia do Xbox e o futuro do Game Pass

As declarações do fundador da GSC Game World evidenciam a antiga filosofia de negócios da Microsoft, que buscava expandir seu portfólio de conteúdo para impulsionar o interesse pelo Game Pass. Ao longo dos anos, diversos desenvolvedores elogiaram a empresa por fechar acordos generosos de exclusividade e inclusão no serviço, o que ajudava a reduzir riscos financeiros e manter estúdios ativos.

No entanto, sob a gestão da nova CEO do Xbox, Asha Sharma, o modelo de negócios passa por uma reestruturação descrita como um “reset”. O futuro do Game Pass enfrenta incertezas. Recentemente, a Microsoft demitiu 1.600 funcionários da divisão Xbox, com a previsão de cortar mais 1.600 postos de trabalho neste ano fiscal. Sharma também removeu Call of Duty da estratégia de lançamentos no primeiro dia do Game Pass e optou por focar nas maiores franquias da marca, como Fallout. Além disso, foi confirmada a saída de quatro estúdios do controle da Microsoft, com mais um em processo de transição. Sharma classificou a mudança como a reestruturação mais “significativa” da história do Xbox, afirmando que o negócio de jogos da empresa “não está saudável”.

Análise de mercado e viabilidade financeira

Em participação no podcast MinnMax, Mike Brown, ex-diretor criativo do aclamado Forza Horizon 5 (atualmente na Maverick Games desenvolvendo o jogo de corrida em mundo aberto Clutch), comentou sobre o cenário atual. Segundo Brown, o Game Pass não conseguiu atingir o número de assinantes necessário para justificar os altos investimentos da Microsoft na aquisição de conteúdos, o que inclui a compra da Activision Blizzard por US$ 69 bilhões.

Brown expressou tristeza com a situação, destacando que o conceito do Game Pass era positivo e permitiu a criação de jogos que talvez não existissem de outra forma. Contudo, ele apontou que a falta de assinantes para tornar o modelo viável resultou no fechamento e na venda de estúdios, além de demissões em massa. Para o desenvolvedor, o serviço não alcançou os números necessários para dar sentido financeiro à aquisição bilionária da dona de Call of Duty, forçando a atual reformulação do negócio.


Fonte: IGN
Publicação original: 2026-07-22T15:27:09+00:00

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