Lesões em esports ganham atenção com casos de Uzi e Faker
O cenário competitivo de esports tem enfrentado um aumento significativo de lesões físicas e transtornos mentais, como demonstram os casos do ex‑jogador chinês Jian “Uzi” Zi‑hao e do sul-coreano Lee “Faker” Sang‑hyeok, ambos da cena de League of Legends.
Casos emblemáticos que chamam atenção
Jian “Uzi” Zi‑hao, considerado um dos maiores talentos da história de League of Legends, viu sua carreira interrompida em 2020 quando anunciou a aposentadoria devido a lesões crônicas no pulso e no braço. Apesar de ter acumulado mais de US$ 500 mil em prêmios, o desgaste físico acabou sendo decisivo.
Faker, por sua vez, foi afastado do banco em julho de 2023 ao ser diagnosticado com síndrome do túnel cubital, uma condição causada pelo uso excessivo dos braços e das mãos. Após mudar a postura de jogo e seguir um intenso programa de fisioterapia, o jogador retornou em apenas um mês, conquistando três campeonatos mundiais consecutivos e preparando‑se para buscar o quarto título em outubro de 2026, nos Estados Unidos.
Uzi chegou a retornar a partidas parciais nas temporadas de 2022 e 2023, demonstrando que a reabilitação pode prolongar a vida útil de atletas digitais.
Tipos mais comuns de lesões
Pesquisas apontam que os problemas mais frequentes em esports são de natureza ocular e musculoesquelética. A fadiga ocular e a diminuição da capacidade de foco surgem do tempo prolongado em frente a telas, enquanto a luz emitida pode interferir na produção de melatonina, provocando distúrbios do sono.
Lesões nas mãos e pulsos – como síndrome do túnel do carpo, tendinite e o chamado “polegar de gamer” – resultam da repetição constante de pressionar botões. Essas condições são semelhantes às encontradas em trabalhadores de linhas de montagem, que também executam movimentos repetitivos.
Problemas na coluna também são relatados, já que jogadores permanecem sentados por três horas ou mais sem interrupções, gerando dores lombares e risco de lesões na coluna vertebral.
Um caso menos conhecido, porém grave, é a trombose venosa profunda, um coágulo sanguíneo que pode ser fatal se migrar para os pulmões. Em 2011, o gamer britânico Chris Staniforth, que jogava até 12 horas seguidas, morreu por essa condição.
Impacto mental e sono
Um estudo de 2021 com jogadores portugueses revelou que 37% apresentaram ansiedade ou depressão, enquanto 45% relataram distúrbios de sono. A pressão para “subir de nível”, praticar horas diárias e competir em torneios intensifica o desgaste psicológico.
Estratégias de prevenção e tratamento
Equipes de elite passaram a contar com fisioterapeutas, psicólogos de performance, treinadores atléticos e massagistas. Exercícios em grupo são incorporados para melhorar a coesão da equipe e reduzir o risco de lesões.
A ergonomia ganhou destaque: cadeiras que favorecem a postura ereta, combinadas a programas de fortalecimento funcional, mobilidade e alongamento dos membros superiores, ajudam a prevenir dores e lesões recorrentes.
Embora a comparação inicial entre esports e esportes tradicionais tenha servido para legitimar a modalidade, especialistas sugerem que a analogia com músicos e dançarinos pode oferecer insights mais precisos. Pesquisas biomecânicas mostram padrões de fadiga muscular no antebraço semelhantes entre jogadores de esports e pianistas, embora ainda não existam estudos comparativos diretos.
Outras áreas, como o automobilismo, também podem contribuir com técnicas de prevenção, já que pilotos enfrentam demandas físicas semelhantes, como longos períodos sentados e uso intenso de membros superiores.
Perspectivas futuras
À medida que a literatura sobre lesões em esports se expande, espera‑se que novas abordagens de reabilitação e prevenção sejam adotadas, potencialmente incorporando exercícios de aquecimento de músicos ou protocolos de atletas de alta performance.
O acompanhamento de casos como o de Uzi e Faker demonstra que, com suporte adequado, jogadores podem retornar ao alto nível competitivo, prolongando suas carreiras e reduzindo o risco de complicações graves.
Fonte: The Philadelphia Inquirer
Publicação original: 2026-09-10T16:01:01Z



Publicar comentário